domingo, 3 de junho de 2012

Nem tudo são alegrias


Pagava quanto fosse preciso, a quem fosse preciso, para poder ir a correr para a praia, deitar-me e sentir o sol a queimar-me as bochechas. Levantar-me, ir ao mar, molhar a cara com água salgada, voltar para a toalha e sentir que o bronze estava a começar a chegar-se a mim. Sentir fios de cabelo dentro da boca e estar a beber o sal como se de água doce se tratasse.
Queria chegar a casa e ficar deliciada por ver que já estava moreninha. Os dentes branquinhos, a pele castanha, a areia colada nas pernas, o sal ainda alojado nas faces, o cabelo encaracolado, consequência daquele mergulho tão fresquinho.
Pagava o que me pedissem para ter de volta a minha cara, aquela despreocupação tão fácil de não querer saber se estava a apanhar sol a mais, aquela despreocupação tão simples de não ter de andar sempre com o protetor solar atrás de mim.
Eu sei, pode parecer ridículo aos olhos de quem lê este blog e me conhece.. porque "afinal não estás assim tão mal". Mas sabemos todos que, nos outros, os males parecem sempre tão mais pequenos.
Mas em nós têm uma dimensão tão, mas tão grande. Pesam mais que qualquer peso que nos possam passar para as mãos.
Está um dia lindo.. Nem ao café vou. Não quero e evito sair de casa. Custa tanto ver a praia cheia de alguém's.. alguém's despreocupados, como eu era dantes. Alguém's que simplesmente estão a aproveitar um dia de praia, como sendo a coisa mais normal do mundo. E é.
Nos entretantos parece que deixei de gostar do sol. Mas é em ocasiões como a de agora que constato que, simplesmente, não gosto do sol porque não posso render-me aos seus encantos.
Parece fútil ou nada assim tão importante..eu sei. Mas para mim não é. E é de mim que se trata este blog. De mim, das minhas vontades, tristezas, alegrias, acontecimentos, desejos, nervos, preocupações.
Eu podia ir à praia. Mas tinha de levar o chapéu atrás de mim. Tinha de ter a cara tão branca qual nuvem do céu e não é disso que o verão, a praia, e esta época se tratam.
O verão subentende as férias. E as férias subentendem, novamente, aquela tal despreocupação. Aquela sensação magnifica de chegar à praia bem cedo, deitar na toalha, fechar os olhos, não ouvir ninguém ao nosso redor e desfrutar disso ao máximo. Nós e o sol. Nós e os raios solares que, de mansinho nos vão dando aquela cor-chocolate que nos faz ficar tão mais bonitas.
Ainda não vejo muita gente bronzeada ao meu redor. O que me faz sentir um bocado menos mal. Mas não há dia em que não pense nas férias, nas saidas à noite, naquelas pessoas tão bonitas, tão "à verão", tão morenas, com aqueles sorrisos todos que parece que brilham no escuro, nas festas, na alegria, na felicidade de toda gente. E depois em mim. Que dantes, fazia tão parte dessa grupo de pessoas. Eu era mesmo muito feliz. Tinha mais do que aquilo que considerava necessário. Adorava-me. Adorava ser assim como era e agora vejo isso. Não havia nada que me preocupasse.
Há pessoas que não ligam ao verão, não ligam à praia, mais porque não vivem em nenhum sitio com ela. Mas para as pessoas que vivem à beira mar, para as pessoas que têm o cheiro a maresia tão intrínseco nelas, custa. Custa ter de deixar de aproveitar, deixar de a viver.
Tenho, realmente, saudades de olhar para o espelho e achar que sim, estava bonita.
Não estou na praia. Não fui ao mar. Não tenho água, do mar, a escorrer-me pela cara abaixo. Mas tenho o sabor do sal a tocar-me os lábios enquanto escrevo este texto e enquanto me lembro de todos os verões que vivi até aqui. De toda a felicidade e alegria que me preenchiam.
Gostava de saber porquê das lágrimas terem o mesmo sabor do mar.

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