domingo, 4 de março de 2012

Uma das..

coisas que me faz confusão é o descrédito que dão a um "Amo-te". Faz-me uma extrema impressão a facilidade com que, nos dias que correm, se diz Amo-te's a este que se conheceu ontem, àquela conhecida que nos apresentaram à três semanas atrás, ao namorado que nem um mês tem a nosso lado ou, ainda pior, àquele a quem dizemos só porque também nos disse e "ah e tal parece mal não usar a mesma palavra". Mas afinal, quanto amor cabe num "Amo-te" ?
Um "amo-te" deve ser dito quando já não cabe mais nada dentro de nós. Não é no início, quando ainda andamos com aquela paixoneta típica que nos faz querer cantarolar, que nos faz sentir destemidos, que nos faz querer gritar aos sete ventos o quão "nas nuvens" estamos. Ao invés disso, deve ser dito passados meses e meses, quiçá anos. Deve ser dito quando algo cá dentro nos diz que a vida já não funciona sem aquela pessoa e não quando somos ainda nós próprios que pronunciamos dia após dia que sim, a vida até funciona com esta pessoa do nosso lado.
O amor é impossível de controlar e, nos dias de hoje, os "amo-te's" também o são. E ainda outra.. O que leva alguém a optar por um "Love you" ao invés de um "Amo-te" ? Aqui cabe tudo. Cabem todas as emoções, todos os carinhos, todos os desejos, todos os passeios que se deram, todos os sorrisos que se trocaram, todas as prendas que se compraram, todas as surpresas que se fizeram. Num Love You, e é quando não recorrem a um LY, não cabe nada. Porque não há nada p'ra caber. Não há nada para dizer quando se diz isso. "Ah e tal, o 'amo-te' é um bocado forte e apaneleirado demais [porque secalhar nem sei o que essa palavra significa], e por isso toma lá um "Love you". Vês? Até sei inglês e tudo. Love you tem pinta..Love you é cool e duas palavras contêm mais sentimento que uma." E pronto, ela fica toda contente, "Ele ama-me. Disse que me Love you'ava. Também lhe devia responder, então cá vai: LY 2." E está feita a conversa, tá feito o negócio. Eles lovem-se.

Talvez eu não faça, mesmo, parte deste século. Continuo a apreciar a simplicidade, os clássicos, a sinceridade, aquilo que é nosso e que, como tal, deve ser usado. Porque por ser nosso, contém todos os ingredientes necessários a que o outro perceba. Mas só o deve perceber no tempo certo. Não numa data específica. Não quando fizer chuva ou sol. Mas sim quando estivermos preparados e quando aquilo que sentirmos for, realmente, amor e não um "gostei de ti ontem e por isso Lovo-te."

1 comentário:

  1. Já somos duas! Penso exatamente dessa forma mas confesso que um dia já fui assim... já disse a alguém o quanto a lov'ava! E isso notou-se nos últimos anos da relação... Raras foram as vezes em que ouvia um Amo-te... muitas, por vezes demias, me dizia LY!tal e qual... nem por extenso! Mas sabes, cada vez mais acho que as pessoas não procuram um amor para a vida, um amor para sempre... mas sim um amor para uns tempos porque nc se sabe o que lhe vai reservar o amanha... Beijo grande**

    ResponderEliminar