Hoje começa o Carnaval, por estas bandas.
Se por um lado a Dona Felicidade toma conta de 90% do meu Eu, os restantes 10% destinam-se às tentativas (quase) falhadas da Tristeza que, de Dona, não tem nada, apesar de o querer. Então comigo é uma coisa parva. Quer mandar em mim como gente grande. Bem tento não lhe dar conversa..mas por vezes lá me convence e eu caio que nem um patinho.
O Carnaval era a maior alegria que eu podia ter, aqui há uns anos. Quando o coração ainda não amava mais ninguém se não ele mesmo. Quando rapazes, para mim, eram sinónimo de pessoas normais, que se limitam a existir. E agora, passado um ano, depois de ter obrigado o meu pequenino coração a ver para além de mim, tenho de o obrigar a fechar os olhos.. Mas ele não quer. Afinal, quando damos um doce, pela primeira vez a uma criança, não podemos, nunca mais, impedir que ela o volte a desejar.
E é o que acontece comigo, contigo que lês isto, com toda gente. Ele esta sossegadinho, limita-se a bater por nós. De repente vem alguém que nos obriga a exigir que ele bata por outro. E no fim, quando tudo acaba e esse outro decide que a casa se tornou pequena demais para três, queremos, à força, que ele deixe de saber bater por dois. Tarde demais. Quando conseguimos nadar 500 metros, deixamos de nadar apenas 100. Mostramos-lhe que é bom amar, ele ama e depois já não consegue regredir. Não consegue voltar a bater apenas por uma pessoa só. Tornou-se um passo muito lento. E quando vemos esse tal outro, ele teima em bater mais e mais e mais..talvez na ilusão de que se bater com muita muita força, consiga chegar perto do outro. Consiga fazer com que esse outro o ouça e se lembre "já bati por ti..". Mas nunca ouve. E se ouvisse, fingia não o ter feito. E resta-nos, a nós, confortá-lo. Resta-nos a nós consolá-lo, acalmá-lo e mostrar que, por mais que ralhemos com ele para que esqueça quem há muito se esqueceu de nós, nunca o iremos abandonar. Porque até na hora em que tudo acaba, esperamos que ele páre e parta, para que, logo no segundo a seguir, nós partamos também.

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