sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

365 dias

23 de Dezembro de 2010
Há um ano atrás tive a confirmação de que "nada é por acaso". Há um ano atrás acordei decidida a ir ao shopping V. para comprar as ultimas prendas de Natal. A tua tinha-te dado nessa noite (de 22 para 23). Lembraste? Aquela que tu adoraste, aquela pela qual choraste e que te fez ficar todo orgulhoso. Afinal, tinha tido tanto trabalho e prazer a fazê-la. Tu entregaste-me a tua: um casaco (conhecias tão bem os meus gostos) e eu agradeci-te, feliz da vida não pela prenda propriamente mas sim por, apesar de todos os problemas, de todas as barreiras e todas as distâncias, estar mais um ano, a "passar" o Natal contigo. Desde que me conheço que passamos esta noite/dia "juntos", em contacto.
Mas continuando..Quando chegou o derradeiro momento de entrar no carro e partir para o destino, passou-me qualquer coisa pela cabeça que me fez ir ao shopping L. A minha irmã não percebeu a minha mudança de apetite, e, pra ser sincera, nem eu mesma percebi. Simplesmente me deu uma vontade repentina de mudar o destino e, hoje agradeço por ter sido assim. Tal como acontece sempre nesta altura, os meus dias ficam cheios de alegria..afinal, é Natal e esta magia toda, a união familiar, as musicas, o frio, o aconchego, fascinam-me. Quando chegamos ao shopping L. foi assim que fiquei. Até que te vi.. com ela. Pareceu-me tudo tão estranho. Aquilo não podia estar a acontecer.. Mas se estava a acontecer, então não podia ser a mim.. Não, eu estava a vivenciar a história de outra pessoa, claro que sim. Nós tinhamos estado juntos nessa noite, tinhamos trocado as prendas, tinhas dito que me amavas, que era comigo que te imaginavas no futuro. Nã..aquele não podias ser tu. 
Mas eras. Eras tu e era ela, eram vocês.. tu levava-la no calor do teu abraço e ela sorria. Sorria como tantas vezes eu sorri dado o conforto que sentia por ter a certeza que eras completa e unicamente meu. Passei à tua frente.. quis que visses que eu estava ali e que me tinhas causado a pior dor do mundo. E tu viste-me. Ficaste igualmente desconfortável mas ela logo te agarrou pela mão de modo a confortar-te. Tu deixaste e vi-te a rir..a rir da situação. A rir porque "caraças, ela apanhou-me". Pois apanhei.. Apanhei e decidi ali mesmo, naquele instante em que as lágrimas me distorciam as feições, que nunca mais me irias voltar a enganar. Era a segunda vez que me fazias aquilo. E doeu tanto como a primeira. O caminho para casa parecia não ter fim e eu queria tanto chegar aos braços de alguém que me confortasse, alguém que realmente me compreendesse. A A. foi a minha grande ajuda, tal como é sempre e um enorme obrigada por essa vez, bem como por todas as outras. 
Nesse dia estava decidida a eliminar-te da minha vida. Nesse dia, naquela hora disse a mim mesma que tu tinhas de ser posto para trás das costas.. Mas não foi bem assim e ambos sabemos..
No entanto e apesar de já ter acabado há muito, muito tempo, foi nesse dia, que mataste outro grande bocado do nosso amor. Daquele que eu julgava ser para sempre, sabes?
O resto irias destruir mais tarde, mas isso fica para outra altura.. 


23 de Dezembro de 2011
Um ano depois encontro-me à porta do C. à espera que passes. Um ano depois encontro-me aqui sentada a escrever, à espera que , como acontece nos restantes dias da semana, te seja obrigatório passar por aqui. Gostava de não desejar mas desejo..desejo muito que passes aqui só para me ver. Mas isso não acontece. Hoje, por ironia do destino ou mesmo porque Ele lá em cima me quer poupar a mais tortura, não te vejo passar aqui. Mas sabes, talvez seja melhor assim. Já não te vejo há tanto, tanto tempo.. Ainda te conheço todas as feições, todos os gestos, todo o jeito de ser e de atuar.. Ao fim ao cabo, ainda continuo a ter-te no meu coração. O problema será sempre esse.

"Longe da vista, longe do coração"..era tão mas tão bom que isto fosse verdade..

1 comentário:

  1. eu tou sempre a dizer que o tempo passa muito devagar. mas quando me confrontam com factos que tenho bem presentes na memória e me dizem que ja se passou á 3 e á 4 anos... eu penso que o tempo passa mesmo depressa

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