Estou no café, sentadinha, a coscuvilhar os blog's alheios, quando entra a minha tia com um ramo de flores enorme. Quer dizer, aquilo não é bem um ramo..é uma dezena de flores, infiltradas dentro de um quadradinho todo jeitoso, branquinho, com um laço enorme.
Eu, a pensar que já havia morrido alguém, próximo, nos entretantos, viro-me para ela e pergunto "Para quem é isso?" e ela responde "Para quem é que há-de ser?". Eu já nem repondo, viro-me para a frente e, pois claro, venho aqui revelar os nervos que isto me anda a meter.
Desde que a minha prima morreu, que todas as semanas vão ao cemitério, levam flores e flores e flores. Deixaram de ir aos lugares, aos convívios nos quais dantes era quase "obrigatório" estarmos e parece que o mundo deles está mais fechado que uma noz. A sério, isto faz-me mesmo confusão. Porque quando alguém morre, as pessoas, na grande maioria das vezes, deixam de ir aqui ou acolá porque simplesmente, "os outros vão falar" e não porque "não tenho a mínima paciência para estar com quem quer que seja". Nos primórdios sim, claro que entendo o seu afastamento social, o seu ar carrancudo, o seu chorar a toda a hora. Mas sinceramente, acho que já é altura de começar a viver. Se os pais já o começaram a fazer, porque é que a minha tia teima em não se "desgrudar" um pouco disto?
A toda a hora no cemitério, a toda a hora a comprar coisas para levar, a mostrar as fotografias a toda gente que vem ao café, a "desprezar" os outros bebés que vê.
Nem eu nem ninguém pode dizer o que quer que seja, se não é um
circo aqui dentro. Por isso, ouço, vejo, fico
revoltada e venho aqui dar o meu parecer, se não expludo.
Dantes não achava muito bem, quando as pessoas, a quem morriam familiares, passado um mês ou dois já andavam por aí, já faziam as suas vidas. Sempre vi isso como algo do género "não sente assim tanta falta da pessoa em questão, para já estar a respirar". Por favor.. Agora consigo ver que, nós continuamos vivos..Não é bem um "o que lá vai lá vai", mas é mais um "não posso permitir-me ficar para trás por causa disto, apesar de doer".
A vida é curta para toda a gente. Não a queiramos encurtar ainda mais.