quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Das que não matam mas moem

- A teu ver, quanto dura o amor entre duas pessoas? - perguntou Margarida, inesperadamente, depois de ter bebido um copo de água.
- Que pergunta! Depende. Os amores não são todos iguais. Há amores que duram uma vida inteira e outros que não...
- E o nosso de que tipo é?
- Também é uma boa pergunta Margarida. O nosso.. O nosso é um amor daqueles que nem sequer devia ter começado.
- A sério? Já terminou?
- Não disse que terminou, disse que não devia ter começado. É uma coisa diferente.
- Não sei se é uma coisa diferente. Carlos, diz-me sinceramente, o facto de que não devia ter começado quer dizer que tem de terminar agora?
- Não te sei responder, Margarida, tu fazes perguntas que parecem simples mas são mesmo muito complicadas.
- Eu não percebo as tuas respostas.
- Não as percebes porque não as podes perceber.
- Então explica-mas.
- Gostaria de o fazer mas não consigo.
- Não gosto nada destas voltas que dás à conversa Carlos! Há uns meses encontrámo-nos e, passado pouco tempo, pediste-me que viesse para cá morar.
- Tens mesmo a certeza de que te pedi?
- Não! Mas foi natural. Vim para cá nessa noite e depois fiquei.
- Pois, mas eu não sabia que ficavas. Não tinha pensado nisso.
- Mas foi bonito...
- Muito. Margarida, escuta, eu não vou ficar cá, vou-me embora.
- Está bem. Iremos para onde quiseres.
- Para onde eu vou, tu não podes ir. Irá outra pessoa comigo!
- Quem?
- A minha mulher. Ficou lá em cima no Norte. Ficou à espera que eu encontrasse trabalho. Como não encontrei, vou ter com ela e partiremos para o estrangeiro. Tenho pena Margarida...
- Como é fácil, Carlos..Tu falas e parece tudo fácil, como se nós nem fôssemos verdadeiros, mas apenas uma das tuas brincadeiras. Levavas-me a passear oferecendo-me o mundo inteiro e na outra ponta de Portugal havia uma mulher que era tua esposa, uma mulher que estava à tua espera. Falaste-lhe de nós dois?
- É claro que não! Nunca achei que a nossa história tivesse um futuro. Margarida, gosto muito de ti, mas aquela é a mulher que quero e com quem decidi viver, ter uma família...
-  E do filho que estou à espera, que pensas fazer?
- Quê?? Tu estás grávida?? Não sei..Espero que não me queiras arranjar problemas!
- Não Carlos, não vou arranjar-te problemas nenhuns! É como se nunca nos tivessemos conhecido, como se nunca se tivesse passado nada!
- És um anjo Margarida..uma rapariga de ouro..e..e..podes ficar nesta casa. É pequeníssima, mas para ti e para a tua criança irá dar. Que nome lhe vais dar?
Mas Margarida não respondeu, levantou-se da mesa e começou a fazer a mala de Carlos. Não, não podia chorar, não agora. Como as coisas podem mudar de um momento para o outro?! Fazia bem em arrumar-lhe a mala, era o gesto evidente da mulher que quer logo pôr à porta o homem que a enganou. Ao vê-la tão determinada, talvez ele pensasse melhor..talvez se arrependesse. Mas a partir da cabeça, aquele choro desembarcava mais em baixo no peito como um balde de metal cheio de água que lentamente, com uma corda, se faz descer com cuidado para não entornar. <Nem uma lágrima, Margarida!! Deixa que este peso desça dentro de ti, que pare onde quiser, mas ainda cheio.>
Carlos encontrava-se à janela, a fumar, de costas para a brisa ligeira da noite, de olhar fixo no quarto, sem o pousar em nada em particular.
Entretanto, ao descer, o balde de água que Margarida tinha dentro dela, começou a bater contra as paredes internas do corpo, a dar-lhe uns safanões que começaram a fazê-la vacilar. Com uma camisa na mão, viu a sala rodopiar e caiu redonda no chão.
Acordou já deitada na cama. A primeira coisa que disse foi "Carlos..." mas a sua voz ecoou pela casa, sem resposta. Olhou melhor ao seu redor e encontrou uma carta que continha a letra daquele que lhe havia destroçado o coração, horas atrás:
"Querida Margarida,
A nossa história foi breve, mas a generosidade do teu amor sincero, levo-a comigo e jamais a esquecerei. Embarco pela alvorada. Quando leres estas minhas palavras, já terei partido. Se puderes, perdoa-me.
Teu, Carlos."

Com amor..

A ti, que não o conheces como eu. A ti que não o conheceste como eu o conheci. A ti que, fiques com ele os anos que ficares, nunca vais sabê-lo tão de cor como eu. 
A ti que não soubeste ficar no teu lugar. A ti que ainda haverás de ser muito infeliz. Tanto quanto eu já fui por tua causa.
A ti.. que a ele já desejei muito.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

São Valentim

"Dia dos Namorados. Eu sozinha. Tu sozinho. Eu sem ti. Tu sem mim. Semi-destruídos. Semi-aliviados. Eu a pensar em ti. E tu em mim." 
Miguel Esteves Cardoso,[mas podia bem ser minha]


E hoje, apesar de não ter a certeza, julgo que a coisa se está a passar ou passou mais ou menos assim. 
Primeiro dia dos namorados sem contacto contigo. Hm..fiz a minha vidinha normal. Lembrei-me de ti, como me lembro sempre. Tive um bocadinho de saudades tuas, como tenho sempre. E continua a bater-me o coração deste modo tão descompassado por tua causa, como tem vindo a  bater sempre. Não digo que estejas a pensar em mim, a desejar passar este dia do meu lado. Mas sim, deves ter-te lembrado. Pela mínima coisa que possas ter visto, que possas ter ouvido..deves ter-te lembrado. (In)Feliz dia dos namorados, longe de mim, perto de outrém :) 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Milagres

- Vasco, sabes o que é um milagre?
- Não, o que é?
- É uma dor que a certa altura deixa de doer, mas que, aconteça o que acontecer, continua a existir, agora e para sempre.

Esteja eu Onde Estiver, Romana Petri 

[logo vi que o livro era interessante]

Hey, hey

Não tenho tido sequer vontade de escrever. Tenho andado chochinha e, como tal, tenho tendência para me afastar do mundo. Mas ao que parece, passou um bocadinho, dado que vim dar o meu parecer :)
A vida tem-me corrido bem, ou pelo menos eu tento que corra. Tento agarrar todas as oportunidades de ser feliz, mas possuo uma caraterística que me impede de as manter comigo. A verdade é que sou eu mesma que as atiro fora após um período longo de oscilações que se prende entre "ora quero, ora não quero". O pior é que isto acontece, também, com as pessoas que se aproximam de mim..o que é grave. Depois no fim (porque tudo tem sempre um fim), ando a "chorar" qual Maria Madalena porque ainda não percebi que a culpa é sempre minha. Não gosto que as pessoas percebam que preciso delas. Tão simples quanto isso.
Andei pela França os dias que passaram, com a mãe do meu ex-amor, o carnaval já começou, hoje foi adiada a consulta do nutricionista, o sol brilha lá fora, ando a ler um livro que me agrada bastante ("Esteja eu onde estiver")..Basicamente tenho tudo o que quero comigo.
Mas continua a faltar-me qualquer coisa. Não é um namorado, cheguei a essa conclusão. Porque não quero ninguém a meu lado. Ainda não estou preparada e acho que, se fosse como a maioria dos/as mortais (arranjar um logo a seguir ao outro), a minha cabeça andava a ferver. Ter alguém do meu lado implica AINDA que esse alguém seja igual à pessoa do passado, o que é impossível. No entanto, também é impossível, para mim, que não o seja (e já lá vai 1 anos, + coisa, - coisa). Por isso não, não é um namorado que me faz falta. A propósito, tenho de me ir comprar a prenda para amanhã. Acho graça a este dia..Quando o tinha do meu lado não achava muita, visto que nunca sabia o que  lhe dar. Mas não sou como aquelas pessoas que só porque não têm um namorado, dizem que odeiam o dia dos mesmos. Eu gosto e espero comemorar muitos no futuro. Até lá a minha criatividade aumenta, espero.
Entretanto começam as aulas e eu já ando a ficar desorientada com essa realidade! Não tenho sequer paciência para estágios, frequências, ataques cardíacos por causa dessas mesmas frequências e toda uma panóplia de coisas que só as universidades oferecem e que nós temos de aceitar mesmo que não queiramos.
Contudo, e porque ainda me restam uns bons dias'zinhos de descanso mental, vou ver se aproveito e se não penso muito nisto (e no resto).

[ocoraçãoagradece] Hoje é isto que se ouve por aqui.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Descobertas 2

Mas eu alguma vez imaginei que este homem, que tanto já me fez rir, cantava assim? Estou maravilhada, e já a ouvi 20 vezes hoje [ocoraçãoagradece]

Foste tu que me possuiste
Tomaste conta deste corpo, outrora triste
Quiseste ver por dentro, eu deixei
Ensinaste-me o amor, eu amei

Dentuças

Admito, sempre tive uma obsessão por dentes (e ainda tenho). Confesso que era uma obsessão parva, tendo em conta que chegava a pensar que a pessoa que queria ao meu lado, nunca poderia ter os dentes ou tortos, ou assim mais esquisitoides ou fora do que considero normal. Toda gente me dizia "Isso é uma estupidez" e eu não conseguia perceber porquê. Há pessoas que têm obsessões com cabelos, rabos, mamas. Mas a minha era (é) com os dentes. Simples.
No entanto, começo a ver que a coisa está a mudar-se na minha cabeça. Afinal, há pessoas lindas, mesmo com os dentes menos direitinhos. Há pessoas lindas, mesmo que tenham os dentes menos branquinhos. Há pessoas que nos encantam e nós nem sequer conseguimos ligar ao facto de terem os dentes mais desalinhados que aquilo a que estou habituada.  
Começo a aprender que os dentes não interferem, mesmo que tentem, no facto de gostarmos mais ou menos daquela pessoa. Porque afinal, não passam disso mesmo: de dentes.
["O peixe morre pela boca" - Mas que grande verdade]

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Completamente

Descobri a múscia que me define! Não podia, de todo, ser melhor [...]

Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi

Descobertas

Descobri hoje o porquê de não gostar de tomar iniciativas.
Não consigo, simplesmente, mostrar a alguém que quero ou que preciso daquela pessoa. E, se outrora não entendia o porquê de ser assim, de ter estas atitudes, hoje fez-se um flash na minha cabeça. Se mostrar a alguém que necessito estar em contato com essa mesma pessoa ou se alguém perceber que é importante na minha vida, quando decidir ir-se embora (porque acaba sempre por ir), vai saber que estou mal, vai lembrar-se de todas as vezes que me rebaixei e quase implorei para que ficasse. Vai querer ficar, quase, por pena e não por vontade prórpia. Enquanto que se eu nunca revelar que tenho saudades, que quero estar com aquela pessoa ou que me faz bem estar com ela, no dia em que chegar a hora d'ela partir, vai ser muito mais fácil para si. Porque não vai lembrar-se de vez nenhuma em que eu tenha mostrado que ia sofrer com a sua ida.
Eu fico mal no fim, acho que sou a que fica pior. Posso estar a morrer por dentro, mas mostro sempre que "ya, vai..é-me indiferente". E assim acaba por custar menos por saber que a pessoa não sabe que estou a ficar triste por ela me abandonar. Chama-se a isto, orgulho. E eu, feliz ou infelizmente, nasci com uma boa dose dele.
Odeio as pessoas que têm a mania de entrar na vida de alguém e depois decidem ir-se embora como se fosse a coisa mais normal do mundo. À chegada, pela primeira vez que vêm falar connosco, deviam assinar um contrato em como não nos deixariam mais, acontecesse o que acontecesse. Quantas e quantas vezes já tivemos amigos que julgávamos serem eternos e depois se afastam sem qualquer razão? Simplesmente vão embora e esquecem-se de nós fazendo-nos esquecer deles.
Por isso é que não me apego a ninguém. Por isso é que encaro todas as proximidades como algo que, à partida vai ter um fim..o que implica que nunca me aproxime/entregue completamente. Fico a ver aquela relação de fora, tal qual um espetador no cinema. Sim, posso falar contigo hoje, tu persistes e falamos amanhã, no outro dia, mas uma coisa é certa: nunca haveremos de começar a falar por iniciativa minha.
Porque se eu tomar iniciativa, significa que, à partida preciso de ti. E, mesmo que isso seja verdade, eu luto sempre contra mim própria para que não o seja.
Por isso vai. Vai, porque eu, mesmo que me importe, tu nunca vais perceber.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

De mim para mim

"Ele já não tem nada a ver contigo S. Agora ele tem a vida dele, namora, faz tudo aquilo que fazia contigo, com ela. Não podes pensar que ele te irá pertencer para sempre, as coisas não são assim. Tens que deixar de te torturar com isso. Tens que deixar de olhar para as fotografias dele e pensar que já te pertenceu, que já percorreste todos os pedacinhos dele com as tuas mãos, que já tiveste contacto com ele daquela forma tão especial. O teu problema não passa por te lembrares que ele fez parte da tua vida, que ele fez parte de ti. O teu problema passa, somente, por continuares a acreditar que ainda faz. É apenas por essa razão que não consegues seguir, não consegues encontrar alguém que te complete tanto quanto ele completava ou mais ainda. Estou cansada de te ver assim, dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano. A vida passa, não a desperdices mantendo-te sempre presa a quem há muito se desprendeu de ti. Ele seguiu, alias, eles seguem sempre.. e tu ficaste para trás. Ficaste, não por não conseguir acompanhar o ritmo dele, mas sim porque ele não deixou que seguissem o mesmo caminho, lado a lado. E quando assim é, não tens outra opção que não a de seguir também, sem ele. Mas não tentes mais que o vosso caminho, agora tão divergente, se cruze uns metros mais à frente. As pessoas vivem as coisas no tempo certo. E, por mais que tentemos escolher qual o momento, a vida, sempre tão matreira, acaba por nos trocar as voltas e fazer tudo diferente. A nós só cabe a "missão" de aceitar, erguer a cabeça e seguir. Sozinha? Acompanhada? Não interessa..desde que estejas feliz."

E eu penso nisto, todos, todos os dias. O lado negativo é que ainda não consigo aceitá-lo na totalidade. O lado positivo é que já faltou mais.

domingo, 22 de janeiro de 2012

L'amour

Desde ontem que não me canso de ouvir esta música e assistir ao vídeo [ocoraçãoagradece].
É incrível como este homem, Jaques Brel, consegue ser tão expressivo, tão transparente. Eu já tinha ouvido esta música, talvez no meu 11º ano, mas nunca senti grande vontade em "descobri-la" verdadeiramente. Resolvi fazê-lo ontem. Aliás, em conversa, disseram-me para ouvir dado que era fantástico assistir ao vídeo.
Eu fiquei maravilhada, claro. Mas a cereja em cima do bolo, foi descobrir que ele está a cantar, esta música, "em primeira mão" para a mulher, que o havia deixado há poucos dias.
Ele chora, chora ao longo da música. E implora para que ela não o deixe.
E ainda me tentam convencer que o amor não existe.
Isto é só, lindo.


Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Ne me quitte pas

sábado, 21 de janeiro de 2012

Eláááá, que vivemos bem

Desde que cheguei, a minha irmã já me comprou um Tablet e uma elíptica. A coisa está a andar bem an. Deve ser p'ra se redimir de todas as vezes que troca os verdadeiros sacos do lixo, pelos sacos do Modelo.
Ainda assim, apesar de não gostar da Tablet e de adorar a elíptica, um obrigada sincero mi amor. Fazes, sempre, de tudo, para que eu tenha, sempre, tudo. 

Melhor maneira de começar


Continuam os passeios de bicicleta. 
A cabeça acalma-se, a imagem absorve-nos, a múscia leva-nos e nós deixamo-nos ir, deixando-nos absorver pelas coisas boas da vida. Encantador.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Remember

Alguém, que está muito muito longe daqui, voltava para casa enquanto ouvia esta música [ocoraçãoagradece] na RFM e lembrou-se de mim . Só se pode ter lembrado de mim, pois logo recebo uma mensagem a pedir para ligar a rádio nesse posto.
Não sabia da existência desta música. Mas "apaixonei-me" duas vezes. Já me aqueceram o coração. Que delícia :)

Deixas em mim
Tanto de ti,
Matam-me os dias,
As mãos vazias de ti

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Felicidadeee

YEYYYY
Todas as cadeiras feitas. TODAS!
Hoje é só a frase que ecoa na minha cabeça. Nada de exames, nada de estudar, nada de nada. Só férias..
Parabéns a mim, hoje mereço, ai se mereço :D

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Passo-me!

A sério! Eu tenho de me passar.
Se há coisa que me inerva, mas que me inerva meeeesmo, é a porcaria dos sacos do modelo ou do raio que o parta, nos baldes do lixo. Eia fico mesmo com uma bolha entalada na garganta, daquelas que só ganhas quando acumulas uma boa quantidade de nervos em ti! Epá já pedi, já implorei "por favor, se há 500000 sacos do lixo verdes, amarelos, laranjas, vermelhos, pretos, com cores, sem cores, POR FAVOR, mete esses na porcaria do balde! É que naqueles caganitos com asas só cabem 3 guardanapos e muito apertados!
Possa, tava capaz de esmurrar a minha irmã agora. Tive de vir desabafar, claro!
Muito mais aliviada. Obrigada blog, por existires.

Werther's Original

Não há melhor.
São os melhores doces/rebuçados do mundo! E juro que não estou a exagerar.
Eu consigo comer um pacote disto seguido. É que nem vou investigar as calorias sequer. Não quero mesmo saber. Tenho já muito de que me privar. Por isso, isto, peço desculpa Nutricionista, mas terá que fazer parte do meu dia a dia. Que booooooooooom! (é que estou a comer agora e estou a entusiasmar-me).
Se a minha mãe me vê....

Lar, doce lar


Tive a pensar. E talvez eu também ande um bocadinho insuportável.
Isto da medicação, das consequências que a mesma me está a trazer, da alteração física e dos devaneios da minha família, andam a ter repercussões também ao nível emocional. Eu sinto isso.
Não ando com paciência para nada. Respondo à minha mãe como se ela tivesse de saber tudo, e estou mesmo, mesmo com tendência para me isolar. Se saio à rua, ou é para andar de bicicleta, ou para ir andar, ou para correr (ou seja, exercício). Não me apetece ir a cafés, não me apetece ir para as "noites", não me apetece ver ninguém de cá.
É inimaginável o conforto, a satisfação que sinto todas as manhãs, quando vou andar de bicicleta e não se vê (praticamente) ninguém pela rua. Os miúdos do secundário estão, ainda, em aulas, e, por isso, esta terra parece outra. Paro em frente ao mar e sinto aquela maresia juntamente com aquele sol primaveril..não pode existir nada melhor. E é só aqui, durante estas horas que me são dadas e que eu aproveito ao máximo, que consigo sentir-me totalmente realizada.
Acabo de vir de andar de bicicleta e, enquanto andava, o sol começou a pôr-se. Tão perfeitnho, tão lindo. Obrigada por existirem sitios destes. Obrigada por eu viver aqui.

50, 55, 57

A minha família anda insuportável. Não aqui em casa mas sim no café. Desde que a Mariana morreu e que eu cheguei aqui que tudo está tão estranho. A minha tia nem se lembra que eu existo. Passa a vida no cemitério. Já lhe pedi um zilião de vezes para me levar quando for e nunca me leva. Hoje foi mais uma vez. Chego ao café e percebo, pela conversa, que voltaram a ir. Então pergunto "Mas tu foste outra vez e não me disseste nada?" E ela responde "Hoje não me lembrei mesmo de ti.". Ya. Da outra vez não cabia no carro. Pois, ela só não se lembra é que quando a familia da nora vai para o Continente e para as festas, nunca se lembram de a levar..só lhe perguntam se ela quer ir ao cemitério. Que lindo. E eu, que sempre que saio de casa, digo "temos de ir buscar a tia, está sozinha sempre.. ela ia gostar de ir". Quanto mais as pessoas dão de si, menos recebem. Cada vez vejo mais isso e anda a deixar-me com os nervos em franja.
Depois é a minha avó. Eu sempre achei piada ao facto de ela dizer tudo o que acha, sem papas na língua. Às vezes exagerava mas eu sempre achava graça. Mal chego ao café diz-me "Quando fores para a escola as tuas colegas nem te vão conhecer de tão gorda que vais". Obrigada avó. Não me chega já estar a dar em tonta por ter de tomar esta porcaria deste tratamento e só ter consequências negativas até à data, e ainda faltava a tua opinião.
Engordei 2 kilos desde que comecei a tomar isto. A minha boca está toda rebentada, as borbulhas estão piores, farto-me de deitar sangue pelo nariz e ainda me faz engordar. E o pior é que ainda vou continuar a tomar isto meses a fio. Que felicidade.
Mas se nunca fui gorda, não vai ser agora. Por isso, vou fazer o plano do nutricionista tim tim por tim tim e o desporto vai voltar a ser o que era.
Prometo-me a mim mesma que não serão meia dúzia de caganitas que me vão fazer ser o que nunca fui.

57..Veremos daqui a um mês.