Descobri hoje o porquê de não gostar de tomar iniciativas.
Não consigo, simplesmente, mostrar a alguém que quero ou que preciso daquela pessoa. E, se outrora não entendia o porquê de ser assim, de ter estas atitudes, hoje fez-se um flash na minha cabeça. Se mostrar a alguém que necessito estar em contato com essa mesma pessoa ou se alguém perceber que é importante na minha vida, quando decidir ir-se embora (porque acaba sempre por ir), vai saber que estou mal, vai lembrar-se de todas as vezes que me rebaixei e quase implorei para que ficasse. Vai querer ficar, quase, por pena e não por vontade prórpia. Enquanto que se eu nunca revelar que tenho saudades, que quero estar com aquela pessoa ou que me faz bem estar com ela, no dia em que chegar a hora d'ela partir, vai ser muito mais fácil para si. Porque não vai lembrar-se de vez nenhuma em que eu tenha mostrado que ia sofrer com a sua ida.
Eu fico mal no fim, acho que sou a que fica pior. Posso estar a morrer por dentro, mas mostro sempre que "ya, vai..é-me indiferente". E assim acaba por custar menos por saber que a pessoa não sabe que estou a ficar triste por ela me abandonar. Chama-se a isto, orgulho. E eu, feliz ou infelizmente, nasci com uma boa dose dele.
Odeio as pessoas que têm a mania de entrar na vida de alguém e depois decidem ir-se embora como se fosse a coisa mais normal do mundo. À chegada, pela primeira vez que vêm falar connosco, deviam assinar um contrato em como não nos deixariam mais, acontecesse o que acontecesse. Quantas e quantas vezes já tivemos amigos que julgávamos serem eternos e depois se afastam sem qualquer razão? Simplesmente vão embora e esquecem-se de nós fazendo-nos esquecer deles.
Por isso é que não me apego a ninguém. Por isso é que encaro todas as proximidades como algo que, à partida vai ter um fim..o que implica que nunca me aproxime/entregue completamente. Fico a ver aquela relação de fora, tal qual um espetador no cinema. Sim, posso falar contigo hoje, tu persistes e falamos amanhã, no outro dia, mas uma coisa é certa: nunca haveremos de começar a falar por iniciativa minha.
Porque se eu tomar iniciativa, significa que, à partida preciso de ti. E, mesmo que isso seja verdade, eu luto sempre contra mim própria para que não o seja.
Por isso vai. Vai, porque eu, mesmo que me importe, tu nunca vais perceber.