terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Finito

E hoje acaba o carnaval. Hoje acabam as noites seguidas a ver-vos dançar agarradinhos. E, por isso mesmo, hoje acaba o meu papel (que, diga-se de passagem, tenho representado muito bem). Esta coisa de fingir que está tudo ótimo quando, na verdade, estou podre por dentro (mesmo sério), dá trabalho, cansa e farta. Porque depois chegamos a casa e, ao invés de podermos, finalmente ser nós, chorar, berrar, arrancar os cabelos, cortar os pulsos, temos também de continuar a fingir mais um bocadinho. A minha mãe não pode ver-me triste. Sabe logo do que se trata. E não quero, de todo, que pense que ainda ando "agarrada" a isto. Trata de me perguntar se vi "o falecido" pelo balhe(= baile), eu respondo que sim e ela sai-se com "e não te fez confusão?". Claro que a minha vontade seria dizer: achas que não?? só chorei, só pedi para que a A. não me deixasse sozinha e que tivesse ali do meu lado não vão as minhas pernas ceder quando a confusão me fizer passar perto deles. Mas para que a minha mãe não tenha mais essa preocupação, digo somente que não..não me fez confusão nenhuma. Afinal, já nem sinto nada..é-me igual. E ela (como quem acredita uns 70%) sorri e riposta "assim é que tem de ser! Ele escolheu o caminho dele." e vai embora com a questão, que a tem andado a atormentar desde há muito: "se até a mim me faz tanta confusão vê-los juntos, como é que ela é capaz de lidar com isso?". Pois. Elas dizem o mesmo. E eu sinceramente também não sei. Mas uma coisa é certa..a ele não posso dar o prazer de perceber que ainda me é tão importante. E ela não pode perceber que ainda preciso tanto daquele que agora é seu e que há tempos atrás foi meu. As músicas tocam, eles dançam agarrados, sorriem, riem, brincam. Há dois anos atrás foi comigo que ele riu, foi por mim que ele sorriu..era comigo que ele dançava.. Como eu tenho saudades. Agora aceitava sempre que me pedisses para ir dançar contigo. Eu dizia muitas vezes que não..preferia andar a dançar sozinha. O arrependimento é sempre tão persistente que chega a pesar.
As pessoas olham para mim..Todos sabem que aquele, o P., era o P. da S.. E a S. era a S. do P. Iria ser sempre assim. E acham estranha aquela imagem. Eles os dois a dançar e eu a dançar também, por diferentes caminhos (para os tentar evitar) e com diferentes disposições. Mas tenho disfarçado bem. As lágrimas quando caem, perdem-se no sorriso (mais falso que já tive) e torna-se quase impossível reparar que elas estão lá. E, aos olhos do mundo (até mesmo dele, que há muito deixou de me conhecer), a S. está bem. Apenas quem me conhece muito bem e todos aqueles que viveram o nosso percurso, de perto, tentam confortar-me sempre que os dois passam por mim. Agarram-me, sorriem, tocam-me. E eu vejo na cara deles a pena. Que tenham. Eu também tenho pena de mim atualmente. Não anda a ser fácil.
Ontem tocou a nossa música[ocoraçãoagradece]. Aquela que cantavas para mim e que dizias ser a indicada para a nossa relação, dado que eu era tão ruim'zinha! Quando começou a tocar, senti mesmo o coração a apertar. As pernas tremeram, quase que a ceder e formou-se aquele nó na garganta que existe sempre quando temos uma vontade tremenda de chorar e não podemos. Eu dancei-a sozinha e vocês dançaram-na agarrados, afinal, estas musicas tocam para os casais terem o seu momento de "amor, descanso e relax", depois de tanto saltar.  Os olhos começaram a embaciar mas o sorriso manteve-se e repeti ao longo de toda a musica "não interessa..já acabou..força, tens de ser forte, vá. nada de dar parte fraca, tu odeias dar parte fraca". Frases e palavras que, surgiam em catadupa na minha cabeça e que, apesar de confusas, me ajudaram a aguentar os longos 3:24s que se seguiram.
Atualmente tudo parece estar a desmoronar-se à minha volta. Os problemas, confusões e afins, andam a ser tantos que eu, sinceramente, não sei para onde me virar nem o que fazer. É caso para dizer que, já há algum tempo que não vivo..não aproveito, não estou feliz. Apenas sobrevivo. Ando por aí, simples.
Que saudades que tenho minhas. Só quero acordar e perceber que isto tudo (cara, peito, P.,) não passou de um mau filme que passei a tarde de domingo a ver mas que acabou já. Agora desligo a televisão e volto à minha rotina antiga, da qual tanto gostava. E aí sou feliz.
Não pode ser assim, eu sei. E tenho de me começar a habituar a isso. Ai S. , acorda e volta para mim por favor!

1 comentário:

  1. Amor, podes ser a S. da J. :)
    Estou a brincar, minha querida. Era só para te fazer sorrir! :) Devo dizer-te que disfarças mesmo muito bem. Sei bem que todo o tempo em que estive contigo tens estado triste e a sofrer, mas nunca isso foi demonstrado. És uma mulher corajosa, meu bem! Eu sei bem o que sentes, (com algumas variações de contúdo, mas sei). Muita força, muita coragem e muita fé.
    "O que há-de ser teu, às mãos te irá parar".

    Díficil de acreditar, mas mais uma frase para repetires nos momentos maus.

    Beijinho

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